ONDE DIABOS ESTÁ O MATT?

Ao revisitar esse antigo vídeo viralizado há mais de 10 anos me emocionei, assim como aconteceu na época que assisti pela primeira vez.

Para quem não viu ou não se lembra, Matt Harding fez uma série de vídeos (começando em 2003) dançando desengonçada e divertidamente, fazendo tomadas por diversas partes do mundo e condensando em um vídeo curto no Youtube.

À princípio é uma espécie de humor lúdico e quase nonsense. Mas, se olhar por mais alguns instantes, a mensagem implícita nos vídeos é arrebatadora:

Quando assisto me sinto em reunião com toda a humanidade. Não importa a língua, etnia, cultura, religião; todos falam a linguagem da alegria, da dança, da vontade de estarmos conectados e celebrando a vida.

Separei a versão de 2008, na qual mais e mais pessoas se juntam ao Matt simplesmente para rir e dançar! Que você possa se sentir acompanhado, celebrando e feliz como eu me sinto:

Where the hell is Matt (2008)

“14 meses na produção, 42 países e um elenco de milhares. Obrigado a todos que dançaram comigo.”

Matt Harding

UMA DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO: DISPUTA, CONFLITO E FEEDBACK

“É tão importante para mim ter alguém em casa que me diz a verdade.”

(Emmanuel Macron)

Herdeiros de uma cultura de hierarquia vertical, dominância e uniformidade como sinônimo de coesão, discordar ainda hoje é sinônimo de ameaça.  Conflito é convite para batalha. Apontar uma falha significa, para a maioria, rejeição.

Acontece, que deveríamos conhecer essas palavras como a fundação da construção de conhecimento e da evolução contínua.

É somente quando encontro alguém que discorda que tenho a chance de refutar minhas verdades e rechecar minhas crenças. Posso decidir redefiní-las ou não, mas de qualquer forma foi uma troca poderosa que pode despertar insights que confirmam ainda mais minhas conclusões, que as amplia, ou, claro, que me abre um novo horizonte de pensamento e possibilidades.

Em geral, uma disputa bem travada torna ambas as partes mais sábias, independentemente do desfecho, e pode ter como resultado um empilhamento de ideias que jamais poderiam ser concatenadas por uma só cabeça; isso é a verdadeira construção de conhecimento. 

Para além da discordância, temos o estigma do conflito. Ele nos parece desconfortável ou até assustador, já que pode sacudir as fundações de uma relação, nos expor ao escrutínio e desaprovação de um grupo, ferir o ego de pessoas de quem gostamos ou das quais dependemos da aprovação para prosperar em nossos projetos.

Minha sensação é de que está tudo de cabeça para baixo! O conflito ou discordância velada, cria uma distância, um incômodo, uma crise submersa que ganha proporção a cada interação até que irrompe cheia de emocionalidade e ruído.

O silêncio trai não somente as relações, mas as causas, as organizações. Se você viu algo que ninguém mais vê, se tem uma perspectiva valiosa que pode economizar tempo, trabalho, dinheiro, ou um insight que pode ser a chave para uma inovação extraordinária, por que fica calado? Não vê que sua visão é única e que é sua nobre missão compartilhá-la com o coletivo que você escolheu fazer parte?

E a falha?

Estamos aculturados a compreender o apontamento de erros como algo extremamente perigoso ao nosso senso de pertencimento e sobrevivência. Como se fôssemos lobos feridos na alcatéia que representam um risco ao grupo por sermos menos capazes de fugir e caçar e que devem, portanto, ser eliminados ou exilados.

Isso faz algum sentido visceral e primitivo, mas nossas tramas sociais já são muito mais sofisticadas do que a dinâmica da alcateia. Se alguém me apontar uma falha é a minha chance de me esculpir um ser humano melhor.

Claro, que devo usar meus filtros de interpretação do que foi dito: ao dar feedbacks as pessoas nos dizem muito mais sobre elas do que sobre nós. Estão nos dizendo sobre suas crenças, valores e prioridades.

É, portanto, minha rara chance de espiar o mundo, e meu reflexo nele, sob outra perspectiva antes reservada apenas àquele indivíduo em especial, com toda sua bagagem de experiências e particularidades biológicas. Cabe a mim avaliar o que foi sinalizado e tirar as minhas próprias conclusões sobre como agir adiante.

Mas, enfatizo: o fato de ter alguém que se importa tanto comigo ou com uma causa o suficiente para se posicionar verbalmente é motivo de vínculo, respeito e apreciação.

As regras da disputa

A transição do comportamento vai exigir uma jornada de amadurecimento. As discordâncias, conflitos e feedbacks devem ser tanto compreendidos quanto conduzidos de maneira produtiva.

A regra de ouro é melhoria de estado; sua interferência propõe uma melhoria de estado ou apenas um desvio de tmpo e energia? É uma implicância pessoal ou um convite ao refinamento de uma relação, processo, estratégia?

Cada dupla, grupo, organização precisa, em primeiro lugar, definir as regras de engajamento. O conjunto de valores compartilhados servirão como trilhos para determinar o que vale ou não, como as contendas são travadas e o porquê.

Para tangibilizar o que são as regras da disputa, encerro com um trecho do documento que usamos na nossa empresa no onboarding de novos membros:

O compasso que rege nosso comportamento:

Nossos valores coletivos nada mais são do que as regras do jogo; o que priorizamos, o que vale ou não vale e sobre quais trilhos avançaremos à toda velocidade.

A hierarquia de valores determina como resolvemos conflitos, a prioridade nas nossas interações pessoais e profissionais, como nos posicionamos para interpretar o que o outro diz quando a mensagem não foi clara o suficiente. Também serve para orientar o tratamento com clientes, alunos, fornecedores e parceiros.

(…) 

1.AMIZADE

2.DEDICAÇÃO

3.EXCELÊNCIA

4.CORAGEM

5.EVOLUÇÃO CONTÍNUA

6.AUTONOMIA

7.CONFIANÇA

8.SENSO DE CONTRIBUIÇÃO

9.COMUNICAÇÃO

10.LEVEZA

COMO RESOLVEMOS CONFLITOS?

Conflitos são desejados e necessários! Celebramos conflitos porque garantem que estamos atentos, que somos autênticos e que nos preocupamos tanto com nossa empresa que vale a pena uma boa contenda. Mas, há regras de engajamento!

  • A disputa deve ser sobre pontos de vista e não sobre questões pessoais; a pergunta que deve ser feita é: levar adiante esse impasse serve ao propósito da nossa empresa? Vai melhorar o status quo?
  • Quando proponho uma mudança, correção, ou o que for, faço com elegância, empatia e leveza? A disputa não é uma batalha é um convite para valsar! Se você pisar no pé do camarada a dança acaba.
  • O bate bola acontece somente entre os envolvidos. Não há fofocas e nem camisas sendo vestidas. Tudo o que nos separa é inadequado. Desencoraje abertamente se um colega falar de outro para você; eles devem se entender como adultos;
  • Se a disputa não chegar a uma solução entre as partes, as mesmas devem escolher UM MEDIADOR em quem ambas confiam.
  • Se o mediador não resolver, escolhe-se 2 ou mais;
  • Se ainda não resolver a CEO é chamada para mediar.

Desejo a você, e a aos seus, excelentes conflitos que lhe tragam vínculo, confiança, evolução contínua e jornada compartilhada!

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