Blog
(11) 3842-1980

Rua João Lourenço, 137 - Vila Nova Conceição, São Paulo - SP

Artigos

Should I stay or should I go

| Por Karina Tarabay |   Como saber se é hora de partir e honrar nossa natureza célere e mutante…Leia mais.

| Por Karina Tarabay |

 

Como saber se é hora de partir e honrar nossa natureza célere e mutante ou ficar e criar alicerces para edificar um propósito de vida?

Há pouco mais de uma década, a vida produtiva como a conhecíamos era constituída por 3 etapas: a formação; a vida profissional, em geral uma carreira estável em uma mesma empresa; e a aposentadoria, o momento em que se usufruía de todas as conquistas.

Mas, dois fatores importantes desencadearam uma revolução completa na estrutura social cosmopolita: em primeiro lugar, a expectativa de vida aumentou muito, e consequentemente, a quantidade de anos produtiva do indivíduo foi estendida; e em segundo, a velocidade brutal da troca de informações pelos meios digitais acelerou a depreciação do conhecimento adquirido. O resultado dessa profusão de possibilidades efêmeras é um mundo onde as pessoas mudam a estrutura do pensamento, dos sonhos e necessidades, incontáveis vezes durante sua jornada pela vida. O modelo dos 3 estágios, organizado e que seguia lentamente a passos cadenciados, tornou-se absolutamente insustentável.

Testemunhamos o desmoronamento dessa estrutura engessada, sequencial e segmentada e o surgimento de uma combinação constante dos 3 estágios na vida das pessoas: os indivíduos buscam formação ao longo de todos os seus anos produtivos, atualizando-se continuamente; trabalham durante os mesmos anos; e tudo isso enquanto usufruem daquilo que vão conquistando.

Temos um caminho inteiro de desafios, descobertas e reinvenções de nós mesmos. Acumular não faz mais sentido, porque aprendemos a aproveitar o momento presente. Nos tornamos minimalistas, dinâmicos e valores como saúde, qualidade de vida, família e amigos nos são mais preciosos do que a melodia metálica das contas bancárias ao entardecer da nossa vitalidade.

Celebramos a liberdade, o dinamismo e não mais estamos apegados a coisas e pessoas, mas às experiências que elas proporcionam. E são tantas, que nossas reflexões se ampliaram, e evoluímos nossas convicções e o entendimento sobre nós mesmos, assim como sobre nosso papel na sociedade, a um ritmo mais acelerado do que conseguimos assimilar e concretizar em ações efetivas.

Toda essa velocidade e pluralidade nos traz um dilema importante de tempos em tempos sobre a vida que levamos: devemos nos reinventar ou persistir nas nossas escolhas? Transformar ou consolidar? Não tomar as decisões necessárias nesse sentido pode nos tornar dois tipos de pessoas igualmente infelizes e desbotadas: preenchidos por vulnerabilidade, distância da sua real identidade e algemados na ilusão de segurança que a inércia proporciona, há aqueles que ficam no lugar de onde já deveriam partido e mantêm-se estagnados em situações opressoras e limitantes. O segundo tipo de pessoa, inquieta, indecisa, superficial, não concretiza grandes sonhos porque não dedica tempo e trabalho suficientes para fazer vingar um feito expressivo.

Como saber se é hora de partir e honrar nossa natureza célere e mutante ou ficar e criar alicerces para edificar um propósito de vida?

Todos nós fazemos sacrifícios todo o tempo em nome dos nossos propósitos. Não é a dificuldade que deve nos fazer abrir mão do caminho traçado, mas a ponderação se o sacrifício é maior que a realização. E a conclusão deve ser diária. Devemos nos perguntar todos os dias se vemos sentido nas nossas ações, na profissão, nos relacionamentos. Todo dia em que o propósito valer o investimento, é um dia de compromisso e de persistência.

A diligência sedimenta pouco a pouco a edificação de um castelo, sólido. Um verdadeiro legado que conta a história da sua missão em cada grão de areia dessa fortaleza. Grandes obras exigem grandes esforços, tempo e coragem para não desistir. Alguns resultados demoram para se revelar, mas quando surgem fazem a própria vida valer a pena. Se aprendermos a curtir todo o processo lembrando a cada instante onde vamos chegar, encontramos inspiração para seguir em frente.

Já virar o jogo, sacudir as estruturas e recriar-se, pode ser produto do entendimento de que o destino, pessoal e único, estava completamente comprometido pela estrada que se trilhava. A constatação exige autoconfiança, ousadia e emancipação para idealizar o novo e agir de maneira fiel à sua legítima identidade. A consistência entre o que se faz e quem se é, nos torna prósperos, pois passamos a agir com mais certezas e entusiasmo.

Há ainda, aqueles que unem constantemente a perseguição de um único sonho com a reestruturação constante; escolheram como meio de vida uma incessante necessidade de se reinventar; como os empresários criativos e audaciosos que desenham os novos limites do desenvolvimento global, ou os artistas que experimentam novos métodos e esgarçam as fronteiras da expressão humana, ou ainda, desenvolvedores de tecnologia de ponta que tornam o futuro distante uma versão ultrapassada da realidade.  Portanto, inspire-se nessas pessoas que vêm a mudança, quando necessária, como um esporte saudável e estimulante.

A autenticidade e ponderação são a resposta para o exercício diário da descoberta do nosso propósito e ajustes no trajeto a ele. Desperdiçar tempo em qualquer outra coisa que não seja fiel àquilo que somos e merecemos é trair a oportunidade valiosa de estarmos vivos. Sejamos esclarecidos e mutantes, corajosos, autênticos, persistentes e realizados.

Voltar