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São Francisco: o que tem para fazer lá e que nenhum guia vai te contar

Por Silvia Paladino “Vou para São Francisco. Alguém tem dica do que fazer por lá?” Eu adoro essa pergunta. É…Leia mais.

Por Silvia Paladino

“Vou para São Francisco. Alguém tem dica do que fazer por lá?”

Eu adoro essa pergunta. É porque ela me dá a chance de compartilhar todos os meus amores pela cidade em que vivi. “The city by the bay”, como tantos cantaram, é feita de polaridades: lindamente leve e complexa, única e diversa, despretensiosa e vanguardista, pacata e ardente.

Se você quer dicas turísticas, já aviso que vou te decepcionar. Mas se você quer entrar no coração de São Francisco, aí sim eu posso ajudar. Listei abaixo alguns dos meus cantos mais queridinhos na cidade – e se você gosta de conhecer mais do que o roteiro turístico, você é dos meus.

 

Ocean Beach

Todos os olhares se voltam para a baía, mas muita gente se esquece de que São Francisco é praticamente toda cercada por mar. Em nenhuma outra parte da cidade você terá uma experiência tão autêntica de viver a Califórnia. Ocean Beach é uma praia selvagem, de pouco menos de 6km de extensão. Não dá para entrar no mar. Roupa nenhuma vai fazer você se sentir aquecido. Pode ser que, em algum momento, você não sinta mais a ponta do nariz. Mas você terá a chance de ver a São Francisco local, das ondas gigantes e dos monstros que, vestidos de roupas de borracha dos pés à cabeça, atravessam a Great Highway e os montes de areia (a praia não tem calçadão) para encontrar o Pacífico. Essa é a hora em que você pensa: “esse cara vai se matar”.

Java Beach Café

Você pode pensar que ele é só um café, mas é uma instituição. Vai olhar para os lados e não vai encontrar turista. O Java é de gente local (e bonita), muitos surfistas, muitos bichinhos de estimação e comidinhas gostosas – bagels, saladas, sanduíches (vários sem carne, inclusive). Na praia, bem à frente do Java, a galera se reúne em dias de boas ondas para assistir aos monstros que comentei acima darem um show de experiência no mar. Alguns fotografam, outros tocam violão e outros simplesmente contemplam. Aliás, não perca o pôr do sol em Ocean Beach. É um espetáculo sem igual.

 

Lands End

Lá para o norte da costa oeste, fazendo a curva na entrada da baía de São Francisco e do canal que leva à Golden Gate Bridge, está a região de Lands End, e você precisa ir até lá para ver porque aquilo parece o fim do mundo. É uma região histórica da cidade, rodeada por rochedos acima do oceano. Não dá para dizer qual vista é a mais impressionante. Tem muita coisa para fazer por lá, incluindo trilhas super fáceis, por exemplo a Coastal Trail, só que a maioria das pessoas não tem a menor ideia de que Lands End existe.

 

Cliff House

Logo no comecinho de Ocean Beach, na entrada de Lands End, está a Cliff House, um edifício histórico, construído pela primeira vez no século XIX e reconstruído algumas vezes depois disso. Hoje, abriga restaurantes e bares, entre eles o Bistro, com uma vista linda para o oceano e a entrada da baía. É melhor ligar para reservar ou consultar o site para se certificar dos horários de funcionamento.

 

Little Shamrock

Pode parecer só mais um pub irlandês, mas o Little Shamrock é diferente. Local, histórico (foi aberto por volta de 1890!), pequeno, acolhedor e pitoresco, tem um público daqueles bem fiéis, como eu logo pude perceber frequentando o bar praticamente todas as sextas-feiras, durante alguns meses, com um novo – e divertidamente diverso – grupo de amigos. Entre eles, tinha peruano, alemão, tcheco, americano e, claro, brasileiro. Mas, com os vários sofás confortáveis, dardo e a gente amigável que frequenta o local, os novos são muito bem-vindos também. Então, não é nada difícil fazer amizade. Sem falar que o Shamrock fica localizado na Lincoln Way, ao lado do Golden Gate Park, no bairro de Inner Sunset (que merece um tópico à parte, aguente aí).

 

Inner Sunset e a UCSF

A Universidade da Califórnia em São Francisco é uma das melhores universidades do mundo na área médica. Também é um importante centro de pesquisa na saúde. É ela que faz do Inner Sunset um bairro de clima universitário, jovem, diverso (é gente de todo o mundo estudando e trabalhando lá), leve e interessante. Na caminhada pela região, passando pela Parnassus Ave, você terá a chance de conhecer a biblioteca mais californiana do mundo. Imagine só que, no local mais nobre do andar térreo do edifício, de frente para uma janela enorme que dá vista para a Golden Gate, os caras instalaram várias poltronas largas e confortáveis. Dá para dormir de boa – e é o que o pessoal faz mesmo, observando de camarote o ir e vir da neblina sobre a ponte mais bonita do mundo.

 

Haight-Ashbury

O distrito de Haight-Ashbury é um destino popular e queridinho. É o mais alternativo da cidade, berço do movimento hippie, símbolo da contracultura. E é tudo verdade. Durante o Verão do Amor, todo o mundo queria ir para lá, o epicentro do movimento. É uma delícia caminhar pelas ruas de Haight-Ashbury, entrar nas lojas e nos cafés descolados, babar nas casas coloridas em estilo vitoriano e se perder na Amoeba Music, templo da música – aliás, desculpe Spotify, mas com a Amoeba não dá para competir. Mas o que eu quero mesmo é incentivar você a olhar para a Haight St., em especial, com mais atenção. E eu não vou fazer spoiler, apenas dizer que você provavelmente pode se espantar com o lado gótico, mórbido, decadente, estranho e assustador do lugar. Entre os antiquários, brechós e lojas pitorescas que você verá, está a Love to Death, com animais empalhados (triste, eu sei), jóias feitas de ossos de animais, bonecas macabras dos anos 50, entre outros itens bem esquisitos. Vale a experiência: é como se ver dentro de um zoológico e não saber dizer de que lado está – o de dentro ou de fora da jaula.

 

Golden Gate Bridge (alternativas)

O ponto é: quais faces e perspectivas e você quer ter da ponte mais bonita – sério, é de tirar o fôlego – do planeta? Provavelmente, todas. A que eu mais recomendo é a vista de Marin Headlands, logo depois de cruzar a ponte para o lado de Sausalito (se chegar na cidade, é porque passou a saída). Poucas pessoas ficam sabendo desse mirante, ou não chegam lá pois precisa ir de carro. Se você não pensou em alugar um, faça isso. Vá ao mirante e aproveite para conhecer Sausalito. Depois de tomar tanto vento frio na cabeça, você até vai precisar – geralmente, lá é bem mais quentinho que São Francisco. China Beach e Baker Beach também oferecem uma bela (e raramente vista pelos turistas) perspectiva da ponte.

Tommaso’s

São Francisco tem restaurantes bons de todos os tipos de culinária. Poderia ser um post só sobre isso, aliás. Por aqui, eu vou recomendar o tradicionalíssimo Tommaso’s, em North Beach. É um restaurante italiano de família, cheio de histórias, e o item mais famoso do cardápio é a pizza. O local já foi frequentado por uma gentinha, digamos, bem normal, tipo o Francis Ford Coppola e alguns astros de Hollywood.

 

UC Berkeley

É verdade, eu adoro um campus. E o da prestigiada Berkeley (tenho uma pontinha de orgulho de pensar que estudei lá) é um dos mais incríveis do mundo. A cidade de Berkeley é um pouco longe e tem que atravessar a baía para chegar lá, mas o Bart, o trem de alta velocidade de São Francisco, é um transporte público a se amar. Você chega lá rapidinho com ele, sem stress. Dá para passar o dia na cidade, curtindo o campus e os arredores, o clima universitário, os cafés e restaurantes (um mais charmoso que o outro) e as pessoas (to-das são bonitas). =O

 

A lista do que fazer em São Francisco, principalmente fora do circuito turístico, é longa. Qualquer dia, eu escrevo mais. Só peço a você que não seja aquela pessoa a cair na armadilha de pensar que São Francisco é Califórnia e, portanto, faz calor. Acredite em mim: não faz. Nunca. A única coisa quentinha em São Francisco, mesmo, é o amor.

 

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