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O poder do SER

| Por Karina Tarabay |   Em algum momento da historia humana passamos a entender o poder como algo externo…Leia mais.

| Por Karina Tarabay |

 

Em algum momento da historia humana passamos a entender o poder como algo externo a nós. Passamos buscar ter e não ser. Isso nos causa um sofrimento desmedido e infindável, já que acreditamos possuir o que vai muito além de nossa jurisdição…

A percepção de que ter é sinônimo de poder nos conduziu a edificar muros de proteção ou segregação e delimitar terras, pertences, verdades e pessoas. Nos tornamos opressores belicosos, esfaqueando uns aos outros por um punhado de poeira e nos aprisionando em conflitos existenciais. Nossa intuição revela que algo não está certo na redundante busca pelo domínio de tudo o que nos excede. Somos assim, tomados por um constante sentimento de frustração e derrota.

Nesse contexto dissonante com a nossa própria natureza, matar semelhantes em nome da propriedade tornou-se sinônimo de grandeza moral e valentia, quando na verdade constitui um ato de ignorância colossal. O conceito de posse é absolutamente equivocado: se uma criança segura as areias da praia nas mãos por alguns instantes, ela não possui as areias. Apenas é a guardiã delas por aquele hiato de tempo.

Vivermos alicerçados no entendimento de que felicidade significa ter é uma escolha traiçoeira e dolorosa; as pessoas nos deixam, as fortunas acabam, os bens são transferidos de mãos em mãos (Leia também O Passageiro). Sofremos mais do que poderíamos a cada uma dessas transformações, porque tentamos encontrar conforto e segurança do lado de fora de nós.

Encontrar segurança dentro de si, porém, de forma alguma simboliza ostracismo ou negligência com as pessoas que amamos ou, ainda, rasgar dinheiro e viver de brisa. Desenvolver nosso poder interno significa buscar sermos cada vez mais virtuosos a fim de proporcionar o melhor às pessoas que nos cercam e construir uma obra consistente e valiosa, que deixamos de contribuição ao mundo. Nossos parceiros, familiares e amigos, devem ser nossos companheiros de viagem, a quem ofertamos trocas enriquecedoras que trazem inspiração e crescimento mútuo.

Além disso, mergulhados na necessidade de propriedade e soberanos da verdade absoluta, exigimos que o cosmo se comporte de acordo com as nossas certezas e assim perseguimos um controle do que vai muito além de nossa jurisdição. Se temos a capacidade de mudar algo é a nós mesmos e devemos aprender a nos adaptar ao mundo no lugar de demandar o oposto.

Poder, então, traduz-se em capacidade de realização, transborda pelos poros de quem se concentra em polir a si próprio e materializar o que aprende nesse processo. Conheci pessoas que perderam todos os seus bens e reconstruíram suas historias, por vezes, mais de uma vez. Essas pessoas são poderosas; não importando em que momento tiramos uma fotografia de suas vidas, sabemos que são notáveis. Com a liberdade de quem escuta o próprio coração, se reinventam, munidas da vontade de explorar o infinito universo que as habita. Quem se conhece é capaz de se esculpir na exatidão dos seus sonhos e alcançar seus verdadeiros propósitos.

Nossa realidade externa é, enfim,  uma projeção do que temos dentro de nós; nossos pensamentos, valores, palavras e ações, efetivamente constroem a realidade física. Isso é poder; ser quem se quer e colher os frutos de suas escolhas conscientes. Portanto, se nos concentrarmos em desenvolver nossa individualidade, conquistar nossos corpos, emoções e pensamentos, seremos verdadeiramente poderosos e nos tornaremos senhores absolutos da nossa existência.

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