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O poder do coletivo na realização de um propósito

Por Karina Tarabay O homem primitivo usava a força do coletivo para proteger-se de predadores, construir abrigo e produzir insumos….Leia mais.

Por Karina Tarabay

O homem primitivo usava a força do coletivo para proteger-se de predadores, construir abrigo e produzir insumos. A sobrevivência do indivíduo dependia, portanto, da sua capacidade de se manter unido a outros. E assim, na trilha da evolução, nossos corpos se adaptaram e desenvolveram mecanismos biológicos para garantir que vivêssemos reunidos e por mais tempo. Quando nos sentimos conectados a pessoas e tribos, nosso cérebro dispara uma química de recompensa; nossa capacidade imunológica é ampliada, assim como a expectativa de vida; e, um efeito mais imediato, sentimos prazer. Como consequência disso, ocorre o fenômeno da conformidade social, ou seja, buscamos nos manter nos grupos, ainda que de forma inconsciente, adotando seus costumes e regras a fim de pertencer a ele e, assim, cumprir nossa exigência orgânica.

Além disso, a referência do outro é uma das primeiras formas de aprendizado – logo nos primeiros meses de vida, os bebês desenvolvem a imitação de expressões faciais. Há tempos, os neurocientistas descobriram os neurônios espelho na região motora do nosso cérebro e, recentemente, os mesmos neurônios foram encontrados no nosso cérebro emocional. Isso significa que aprendemos comportamento por imitação. Durante toda a vida, absorvemos referências de ações, reações, mindset e valores daquelas pessoas que nos cercam e com quem temos algum tipo de identificação, estejamos conscientes disso ou não. Isso é social learning – aprender com grupos um comportamento que dará um determinado tipo de resultado.

E o que isso tem a ver com propósito?

Tudo! Os grupos nos quais estamos inseridos não apenas influenciam nosso comportamento, mas o determinam. E é a nossa conduta que nos guia pela jornada ao propósito. Vou explicar:

Na direção certa

A maneira como pensamos, trabalhamos e vivemos é um resultado claro de nossa individualidade, mas também das nossas interações humanas. Nós temos características latentes, não manifestadas, que vêm à tona quando encontramos ressonância na identificação com outras pessoas. São comportamentos possíveis e adormecidos que emergem quando estimulados pelo convívio social.

Além disso, a convivência inteligente é um acelerador expressivo de aprendizado e, se soubermos escolher as tribos que detêm a conduta ou conhecimento que desejamos, a ponte para o propósito está construída. Podemos, assim, esculpir nosso comportamento e nossa bagagem de conhecimento, mediante a escolha consciente das influências que nos permitimos ter.

Alicerce

Relações próximas e saudáveis disparam não só a química do pertencimento no nosso corpo, nos preenchendo com bem estar, longevidade e saúde, mas também são o trunfo para alcançar estabilidade emocional. Sem (ou com muito poucos) conflitos, construímos uma clareza mental decisiva para a conquista dos nossos ideais.

Por outro lado, estar imerso em relações tóxicas, que consomem nosso precioso tempo ou nos empurram na direção oposta aos nossos planos, compromete nossa felicidade. O único jeito de superar esses laços é afastando-se deles. Esse é um assunto muito delicado, afinal, as pessoas não são descartáveis e muitas delas estão sob nossa responsabilidade emocional, moral ou até financeira. É uma análise bastante particular a ser feita e que dirá o quanto é possível atenuar essa influência, enquanto ampliamos a proximidade com pessoas que reforçam a direção dos nossos valores e sonhos.

Multivíduo

Se formos capazes de comunicar nosso propósito com excelência, vamos atrair quem tem o mesmo dentro de si. Esses parceiros nos dão uma poderosa extensão da nossa própria força de trabalho e, o mais importante, emprestam seus predicados únicos ao intento comum. Multiplicamos, assim, nossa capacidade de realização, nos alicerçando em uma variedade de habilidades que não teríamos condições de desenvolver em uma só vida. Deixamos de ser um indivíduo para nos tornar um multivíduo, plural e focado no mesmo ideal.

Na liderança da tribo

Falamos de como o grupo nos influencia, mas a consciência de todo esse impacto e das forças que regem o coletivo traz a responsabilidade de influenciar, conduzir e estar ao manche da sua causa.

Como vimos, o mais importante é encontrar na multidão as pessoas certas, escolhendo para ter ao seu lado quem compartilha do seu sonho. E para alcançar quem está em sintonia com você, é preciso se comunicar com clareza e paixão. Depois, com o time certo, o próximo passo é construir uma atmosfera de confiança, autonomia e abundância.

Vou aprofundar: a confiança gera receptividade. Em um time em que se confia, com habilidades chave e olhar no propósito, confere-se autonomia. Afinal, é um projeto de todos e cada um precisa carregar em si a responsabilidade e o comprometimento de fazê-lo acontecerNesse modelo, a hierarquia é mais horizontal e a organização ou projeto torna-se auto regulável – os co-criadores dessa jornada entram em harmonia e tecem os processos que cabem para aquela composição específica de visões e habilidades.

Ainda assim, é muito comum um cenário de competição não saudável, dispersando uma energia importante nesses projetos compartilhados. Para erguer parcerias coesas e afinadas, é inteligente criar um senso de abundância, ou seja,  uma sensação clara de que não é preciso competir dentro do grupo para garantir o sucesso, porque há espaço, recompensa e reconhecimento para todos.

O poder do coletivo

Não é possível controlar todo o fluxo da vida, mas é nosso papel lançar mão das ferramentas que o corpo e a consciência nos concedem para fazer escolhas lúcidas, emancipadas e intencionais.

Encontrar nossa essência e conduzi-la a realizar o que só ela é capaz é quase a maior contribuição que podemos deixar ao mundo. Essa herança só fica maior quando descobrimos, na união das nossas individualidades, uma potência, uma completude e um legado coletivo, compartilhado e indivisível.

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