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Nas fronteiras da tolerância

| Por Karina Tarabay |   Desperdiçamos uma quantidade enorme de energia produtiva com a síndrome do coitadinho; a constante…Leia mais.

| Por Karina Tarabay |

 

Desperdiçamos uma quantidade enorme de energia produtiva com a síndrome do coitadinho; a constante sensação de que somos vitimas de outras pessoas, do acaso, do amor, quando na verdade nossos maiores agressores somos nós mesmos. Nos exaurimos remoendo emoções pesadas no mesquinho jogo da culpa, quando o que realmente importa é como a vida será organizada daqui para frente.

Viver no passado é uma prisão cruel. E quando sentimos que fomos injustiçados, passar o resto dos dias mergulhados em indignação e exigências de reparação dos danos emocionais que sofremos nos faz entrar em um círculo vicioso de dor e insatisfação. E, com o tempo, a agonia só cresce. Nada vai poder reparar nossos corações senão nós mesmos, ao seguir em frente, fazendo novas escolhas, dessa vez mais sábios e fortes.

Liberte-se e liberte aqueles que você sente que estão em dívida com você. Vamos todos errar, sofrer e fazer sofrer. Que essas situações nos tragam amadurecimento e, ainda, compreensão, tolerância e amizade. Irradiamos companheirismo e atraímos o mesmo; quando chegar a nossa vez de cometer deslizes, será muito bom contar com atitudes de empatia daqueles que nos cercam.

Um olhar de maturidade, de afeto, quase maternal, sobre os equívocos que cometem conosco, implica também em uma necessidade de estabelecer o que é aceitável. Caso contrário, a tolerância transforma-se em desculpa para apatia ou auto repressão. Devemos nos posicionar, sempre, para delimitar nossas fronteiras de indulgência e conviver de forma leve e inteligente.

Com efeito, perceberemos que mascarar o descontento não é uma atitude de afeto e sim um erro que alimenta um abismo entre as pessoas e que, com a repetição, pode torná-lo intransponível. Distanciamos as pessoas de nós e acumulamos, a cada omissão, uma pequena pedra em nossas costas. Um dia, nosso fardo fica pesado demais e explodimos em brigas e atritos. Fazer pequenos acordos, torna os grandes possíveis e o dia-a-dia suave, repleto de trocas que educam e fortalecem as nossas relações.

Ainda que seja necessária uma reorganização total dos vínculos com as pessoas, estabelecendo um status diferente (casados em amigos, parceiros de negócio em colegas, familiares em companheiros distantes, amigos em namorados), os conflitos devem sempre trazer crescimento, transformação e, jamais, perda. As emoções são aliadas para impulsionar a catarse de que precisamos para transformar as relações. Mas, como elementos inflamáveis que são, devem ser consumidas e esgotadas rapidamente para que possamos reiniciar nossos relacionamentos com o frescor e sinceridade que merecemos. Amontoar mágoas não só impossibilita o recomeço, mas envenena seu portador.

Amigos de verdade dialogam, ensinam, descobrem-se e respeitam-se. Valorizo as falhas, sejam minhas ou dos outros; elas sempre ensinam e nos dão a oportunidade de crescer. E a cada resolução de conflito, escolho seguir em uma direção: em frente. Um verdadeiro recomeço, após um ajuste necessário, deixando as pedras para trás e carregando só lições, amigos e boas lembranças.

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