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Emancipado

Todos queremos ser livres. Nascemos para cruzar as fronteiras da dependência e ignorância.   Para algumas pessoas a expressão da…Leia mais.

Todos queremos ser livres. Nascemos para cruzar as fronteiras da dependência e ignorância.

 

Para algumas pessoas a expressão da liberdade é perseguir o verão pelo mundo. Para outras, é ter dinheiro suficiente para si e para os que ama. Ter tempo, valioso e inexorável, para preencher com o que quiser é a alforria para tantos. Se expressar ilimitadamente por meio das artes, dos esportes, dos talentos diriam alguns tantos. Outros, ainda, dirão que é poder dizer o que pensa, vestir o que quer, fazer amor com quem escolher, sem ser oprimido por maiorias e governos tiranos. É tudo uma questão de perspectiva, de momento de vida e de celebração da individualidade.

 

De qualquer forma, considero que essas são apenas experiências, válidas e necessárias, de liberdade, mas não refletem a condição definitiva em si. Para ser realmente livre é preciso se alicerçar em autoconhecimento e autonomia não como em um retrato, mas como em um longa-metragem. Requer tempo, maturidade, coragem, persistência e propósito.

 

É libertador saber que você não deu o comando da sua história para os outros; você deu o seu tiro e não importando qual foi o resultado, se sente livre e à frente das suas escolhas e consequências. O indivíduo livre está sim reunido às comunidades e na trilha dos seus mentores, mas com a clareza de que os selecionou por empatia de ideais e não por desbrio ou inércia.

 

Para ser livre é preciso desapego. Temos de estar prontos para perder tudo e só assim encontrar o que é essencial. As pessoas mais notáveis que conheço se reinventaram algumas vezes e tornaram-se livres do medo de perder. São capazes de se reconstruir, de mudar de direção se necessário, e de escolher o inconveniente para manterem-se fiéis à sua identidade. Defendem a estabilidade construtiva com unhas e dentes, mas se adaptam com valentia quando chega a hora. Deixam partir bens, pessoas e ideias para poder seguir em frente. Mudam constantemente apenas para tornarem-se aquilo que já são.

 

 Quem se sente liberto, percebe que mesmo quando os seus orientadores e líderes o decepcionaram, isso também significou um passo importante para lhe tornar independente, para aprender a caminhar com as próprias pernas e marcar sua assinatura em seus feitos. Agem como nos ritos de passagem tribais, nos quais o menino é lançado à selva para provar-se homem e só então voltar à tribo, vitorioso de si. Agora ele pode se relacionar com os demais, cheio de certeza sobre seu valor.

 

O homem emancipado aprende que as quedas, os términos, os nãos, os erros, lapidaram o seu caráter; lhe conduziram a desenvolver habilidades e estratégias ímpares e o que era um grande problema há alguns anos, hoje é uma bobagem cotidiana. Ele também percebe que toda a experiência da vida é filtrada pelo que cultivou internamente e que a interpretação dos fatos depende do seu compromisso com a leveza.

 

Em constante auto estudo, quem é livre sedimenta maturidade para lidar com os limites e particularidades do seu corpo e destino, num processo contínuo de evolução que vem desde quando aprende a caminhar e a falar na primeira infância. Ele sabe o que e quando precisa comer, o quanto deve dormir, a quantidade ideal de exercício, de velocidade, de conexão humana, consigo e com a natureza precisa para estar em performance e alegria.

 

Veterano nas curvas do caminho, o emancipado deixa de catastrofizar os percalços. Descobre, afinal, que a vida não é o que acontece depois que tudo isso passar, mas são os desafios, diários, em si. E ele não se afoba; assim como o surfista experiente, ele assiste pacientemente as idas e vindas da natureza e sabe quando é hora de surfar a sua onda e quando é hora de esperar.

 

O independente também se torna livre da egomania, reconhecendo seu profundo vínculo com a coletividade. Consciente, empático, generoso e responsável, ele segue escolhendo criteriosamente as pegadas que deixa no planeta e nas relações humanas, não deixando dívidas para trás.

 

Ao escutar os ritmos da natureza por meio da sua própria respiração, o emancipado percebe o universo com clareza e empreende na vida com discernimento, disposição, serenidade e propósito.

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